O advogado é o instrumento pelo qual
o cidadão pode obter Justiça.

Desde que comecei a escrever, relutei em falar da advocacia de forma direta. Todavia, impossível é deixar de tecer comentários importantes sobre a profissão que abracei.

Enquanto estudante (bom aluno, aplicado e presente), sempre desejei o exercício da Magistratura, ainda mais porque durante a adolescência namorei a filha de um brilhante, honrado, coerente e excelente juiz, Dr. José Luiz Fernandes, agora já aposentado.
Ocorre que, além de não ter obtido êxito nos concursos que prestei, fui cada vez mais me apaixonado pela advocacia, pelos espaços do meu escritório, pela organização de todo o esquema que tem de ser montado para um bom atendimento e o cliente sinta-se seguro e satisfeito.
A paixão pelo exercício da advocacia invadiu meu ser e desta maneira fui cada vez mais me envolvendo com este ofício difícil, criticado, complicado e completamente envolvente para aqueles que gostam do desafio e da realização da Justiça.

O advogado, ao contrário da maldição que muitos julgam, não se trata de um profissional que possa ser desprezado, pois somente com sua participação efetiva, o cidadão poderá obter Justiça. O advogado não é uma peça que possa ser descartada. Não se trata de estorvo. Não se trata de um profissional que vise o mal da sociedade.
O advogado é o instrumento pelo qual o cidadão pode obter Justiça, sendo certo que a facilidade que a União Federal tem oferecido à população que pode buscar seus direitos sem a assistência do profissional habilitado, não pode ser tratada como sendo um beneficio, pois para o Governo Federal, não interessa que os advogados trabalhem cada vez mais mostrando aos cidadãos seus direitos e garantias, afinal, o ignorante que não tem sequer noção se tem ou não direito, é mais fácil de ser controlado.
O advogado tem o triste estigma de ser classificado como “o esperto”, “o malandro”, “o grande câncer da sociedade”.

No entanto, posso falar com toda a certeza que existem homens e mulheres no exercício desta profissão que merecem o meu maior respeito, gente que vive da advocacia de forma digna e honrada, com brilho próprio, gente que não se submete às atrocidades praticadas pelos que estão no Poder Legislativo, Executivo ou no Poder Judiciário. Conheço advogados que sofrem pelos clientes que representam, que buscam a justiça acima de tudo.
No entanto, também é verdade que existem advogados desclassificados (assim como há maus profissionais em inúmeras outras áreas que não a do Direito), profissionais que somente desejam ter clientes ricos e jamais, em hipótese alguma atendem, a população carente, mesmo que o cidadão pobre lhe ofereça um percentual acima do normalmente cobrado. Advogados que se esquecem do seu importante e fundamental papel social, seres que a qualquer custo tentam enganar os que os cercam e os que porventura litigam contra a sua pessoa.

O respeito, o bom procedimento, a ética e a honra não estão à venda. Trata-se de traço de personalidade que tem de ser desenvolvido. O profissional sério ganha honra e respeito com o passar dos anos e todos sabemos, ao fim ao cabo, quem merece ser chamado de advogado e quem não passa de um rábula interesseiro e oportunista que ainda tem na mente (atrofiada) a famigerada “Lei de Gérson” de levar vantagem em tudo, muito comum para esse tipo de gente.
Cumpre ainda salientar que, por vezes, recebo pessoas na minha mesa reclamando de colegas. Ora porque não os recebem, ora porque não telefonam, ora porque não agiram na forma como o cidadão desejava. Nessas oportunidades, respiro e prefiro não fazer comentários maldosos acerca do profissional, mesmo que eu saiba que se trata de um cafajeste, pois não se deve falar mal de NINGUÉM.

Os bons profissionais, as pessoas de bem ao contrário dos “bachareis em direito” jamais criticam uns aos outros, pois existe um código de ética a ser respeitado, profissional de qualquer área do direito que fala mal, bom proveito quer tirar eis que cada caso é um caso e as soluções podem ser infinitas. O que parece simples explicado por um leigo pode ser impossível para um técnico.
Por isso, sempre indico que o cidadão que reclama busque cópias de seu processo, busque conhecimento com a Ordem dos Advogados do Brasil que possuem subseções cada vez mais atuantes.
A verdade é que falar mal é muito fácil. Difícil é trabalhar. O cidadão que reclama, na maioria das vezes, o faz porque transfere para o profissional que o representa sentimentos que nutre pela outra parte, ou simplesmente fala mal por vício de falar mal.....
Os colegas advogados que atuam com afinco como eu, sabem o quanto é insuportável escutar alguém que não tem a menor possibilidade de sair vitorioso de uma demanda, questionar a legislação em vigência, questionar a cultura jurídica do profissional e insinuar que o mesmo não está à altura da lide que ele deseja propor ou a tese que deseja defender.

Assim como existem advogados e advogados, existem, clientes e clientes e os advogados, por enquanto, não têm soluções mágicas para o empresário que não paga suas obrigações trabalhistas. Não existem soluções mágicas para evitar a prisão de um pai devedor e assim por diante.
Enfim, advogar é difícil. Viver é difícil. Suportar situações atípicas e descaradas é uma arte, todavia, importante é internalizar a responsabilidade social de cada um, buscar realizar o possível dentro dos limites da lei e ser o mais coerente possível, eis que juízo é bom e não faz mal a ninguém.

Portanto, Juízo a todos.
JOSÉ ALEXANDRE BATISTA MAGINA